A confirmação de um foco de peste suína clássica (PSC) no município de Porto, no estado do Piauí, reacendeu o alerta sanitário em todo o setor agropecuário brasileiro. A doença, considerada uma das mais graves da suinocultura mundial, possui alta capacidade de disseminação, elevada taxa de mortalidade entre os animais e provoca impactos econômicos profundos, especialmente em regiões com produção familiar e sistemas de criação menos tecnificados.
O caso foi confirmado por meio de análises laboratoriais realizadas pelo Laboratório Federal de Defesa Agropecuária (LFDA), órgão vinculado ao Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa). Diante da confirmação, o governo do Piauí decretou estado de emergência zoossanitária por 180 dias, permitindo a adoção imediata de medidas excepcionais para conter a circulação do vírus.
O que é a Peste Suína Clássica (PSC)?
A peste suína clássica é uma doença viral altamente infecciosa causada por um vírus do gênero Pestivirus. Ela acomete exclusivamente suínos domésticos e javalis, não oferecendo risco à saúde humana. Ainda assim, é classificada como uma das enfermidades de maior relevância sanitária na produção animal, devido ao seu potencial de causar surtos extensos e perdas significativas.
Em países e regiões onde a PSC não está erradicada, a doença exige sistemas rigorosos de vigilância sanitária, controle do trânsito de animais e, em alguns casos, programas de vacinação estratégica, sempre sob supervisão das autoridades sanitárias.
Como ocorre a transmissão do vírus
De acordo com orientações técnicas da Embrapa Suínos e Aves, o vírus da PSC pode ser transmitido de diversas formas, o que dificulta seu controle em regiões com baixa biosseguridade.
- Contato direto entre suínos infectados e animais sadios;
- Exposição a secreções corporais como fezes, urina e saliva;
- Uso compartilhado de equipamentos, veículos e roupas contaminadas;
- Consumo de restos de alimentos contendo carne suína contaminada;
- Contato indireto com javalis infectados.
Sintomas clínicos observados nos animais
Os sinais clínicos da peste suína clássica podem variar conforme a fase da infecção, mas geralmente incluem:
- Febre alta e persistente;
- Apatia, prostração e perda de apetite;
- Manchas avermelhadas ou arroxeadas na pele, especialmente em orelhas e focinho;
- Diarreia, vômitos e dificuldade respiratória;
- Sinais neurológicos, como tremores, convulsões e falta de coordenação;
- Alta mortalidade, sobretudo em leitões.
Emergência zoossanitária e vigilância no Piauí
Com o decreto de emergência zoossanitária, o estado passa a adotar medidas de controle rigoroso da movimentação de suínos e produtos de risco, intensificação da fiscalização em propriedades rurais, instalação de barreiras sanitárias e ampliação da vigilância epidemiológica.
Essas ações têm como objetivo principal conter a disseminação do vírus, proteger áreas livres da doença e evitar impactos ainda maiores sobre a suinocultura regional e nacional.
Impactos econômicos e comerciais da PSC
Embora não afete a saúde pública, a peste suína clássica gera impactos econômicos severos, incluindo perdas diretas de animais, redução da renda de pequenos produtores, custos elevados com medidas de controle e risco de restrições comerciais.
Atualmente, cerca de 95% da produção industrial de suínos no Brasil está localizada em áreas reconhecidas como livres da doença pela Organização Mundial de Saúde Animal (OMSA), fator essencial para a manutenção das exportações brasileiras.
Fontes e referências
- Canal Rural – Peste Suína Clássica no Piauí
- Ministério da Agricultura e Pecuária (MAPA)
- Embrapa Suínos e Aves
- Organização Mundial de Saúde Animal (OMSA)
Conclusão
A confirmação do foco de peste suína clássica no Piauí evidencia a importância da vigilância sanitária contínua, do cumprimento rigoroso das normas e da atuação integrada entre produtores e autoridades. Medidas rápidas e bem coordenadas são fundamentais para proteger a suinocultura e evitar prejuízos ainda maiores ao setor.
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